quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Seres noturnos


Ele surgiu no meio da noite.
Dançou e cantou em meu corpo.
Sussurrou e gritou em meus ouvidos.
E assim, tua boca redimensionou meu desejo.
Suas mãos viajaram e falaram essa lingua de anjo.
Anjo meu, fica aqui e voa comigo.
Anjo noturno de pele translúcida me traz de novo essa fome, essa sede e esse sono.
Olhos negros me deixa rubedo, vermelha, me deixa luz, me faz brilho.
Saliva que diz : "Minha sede nunca cessa".
Sim!
Foi reencontro nosso, seres noturnos que amam como quebranto.
Que desejam como religião.
Que se abraçam como irmãos.
Lindo.
Linda.
Lindos juntos, seres alados e nunca domesticados.
Sorriso e gargalhada.
Chegada e partida.
Presença e nunca mais ausência.
Luzes que se alimentam e matam a fome de quem não tem desejo.
Agora voamos juntos por aí.
Agora não nos largamos mais.
Sim, foi reencontro.
Naquela noite, nossas almas noturnas se reencontraram.
Ana Paula Rezende
Ana Paula

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