quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Velha alma


Hoje a velha alma não cabe mais nesse corpo.

A pele pede para ser trocada.

Fiquei com medo de não caber mais em mim.

E de fato, isso tem acontecido dia após dia.

Li hoje uma metáfora que aquietou um pouco meu espírito.


Algo mais ou menos assim:


"Nossa vida é feita de ondas.

É impossível eternizar uma onda.

Inevitavelmente elas desaparecerão no mar, outras surgirão...mas em uma dança das águas

elas serão movimento, nascem,morrem e ressurgem transformadas..."


Hoje sou pura água.

Água da fonte.

Água do riacho.

Água que mata a sede.


A velha alma andarilha pede ao corpo que deixe-a ir.

O corpo a olha assustado.

E faz que não com a cabeça.

É invadido por um profundo temor.

Perderá o controle.

A alma sábia sorri e responde carinhosamente:

_Meu amor, não sou sua.

Apenas te peço porque quero ir sem que sintas dor, sem que sinta-se abandonado.

O corpo depois de sentir o gosto salgado das lágrimas responde:

_ Eu sei que não pertencemos um ao outro.

Sei que apenas podemos pertencer a nós mesmos.

Vá! Seja autenticidade para me fazer feliz a cada momento que me abraça e me acolhe.

Pronto !Os nós foram desfeitos.

Não serei sua prisão.

Serei para sempre sua morada.

Serei para sempre seu amor.

Amor maior.

Amor que não rima com dor.


E assim, bela e faceira, a linda alma alçou vôo e com o sorriso mais lindo que o corpo já pode presenciar foi para sempre dela mesma.

E a cada momento que esse corpo se entrega a alma o abraça e faz de sua vida amor de corpo e de alma.

Amor humano e divino.


Hoje o corpo cabe na velha alma...


Ana Paula de Rezende Fernandes


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