
Hoje a velha alma não cabe mais nesse corpo.
A pele pede para ser trocada.
Fiquei com medo de não caber mais em mim.
E de fato, isso tem acontecido dia após dia.
Li hoje uma metáfora que aquietou um pouco meu espírito.
Algo mais ou menos assim:
"Nossa vida é feita de ondas.
É impossível eternizar uma onda.
Inevitavelmente elas desaparecerão no mar, outras surgirão...mas em uma dança das águas
elas serão movimento, nascem,morrem e ressurgem transformadas..."
Hoje sou pura água.
Água da fonte.
Água do riacho.
Água que mata a sede.
A velha alma andarilha pede ao corpo que deixe-a ir.
O corpo a olha assustado.
E faz que não com a cabeça.
É invadido por um profundo temor.
Perderá o controle.
A alma sábia sorri e responde carinhosamente:
_Meu amor, não sou sua.
Apenas te peço porque quero ir sem que sintas dor, sem que sinta-se abandonado.
O corpo depois de sentir o gosto salgado das lágrimas responde:
_ Eu sei que não pertencemos um ao outro.
Sei que apenas podemos pertencer a nós mesmos.
Vá! Seja autenticidade para me fazer feliz a cada momento que me abraça e me acolhe.
Pronto !Os nós foram desfeitos.
Não serei sua prisão.
Serei para sempre sua morada.
Serei para sempre seu amor.
Amor maior.
Amor que não rima com dor.
E assim, bela e faceira, a linda alma alçou vôo e com o sorriso mais lindo que o corpo já pode presenciar foi para sempre dela mesma.
E a cada momento que esse corpo se entrega a alma o abraça e faz de sua vida amor de corpo e de alma.
Amor humano e divino.
Hoje o corpo cabe na velha alma...
Ana Paula de Rezende Fernandes
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