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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Amor dito
Estive pensando como o silêncio alimenta o controle e o poder nas relações.
Enquanto o silêncio permanece se instala um mistério.
É como se um estivesse no altar, inatingível.
E o outro ávido por palavras, por definições e declarações.
A palavra proferida amedronta porque revela as vulnerabilidades.
Escancara as fragilidades.
Por outro lado, ela liberta o ouvinte porque assim ele aniquila os fantasmas do descaso, do desamor e do abandono.
O não-dito é tão maldito porque acorda aqueles medos inconfessáveis de criança.
Nas relações silenciosas regredimos, relembramos daquela sensação fantástica dos pais heróis.
Mas, acontece ,que não somos mais crianças.
Não queremos mais um pai ou uma mãe, isso seria no mínimo incestuoso e tosco.
O poder não pode fazer morada dessa forma.
O silêncio alimenta o controle.
E reacende aquele desejo de ser amado, comprovadamente amado.
Se não existem palavras o amor torna-se tão concreto que parecemos famintos e desnutridos.
Acontece que quem permanece em silêncio está cheio de medos também.
E não vivemos a dois assim.
É uma vida vivida aos solavancos, subnutrida.
Com o silêncio e o monopólio do poder, nas relações, fica a dúvida se o desejo mora em quem foi eleito, se há amor ou apenas devaneios.
Por isso, quero sempre o amor dito, sentido, ouvido, cantado, murmurado, entre risos, lágrimas, gargalhadas e atitudes.
Assim, continuamos a saber ,que ninguém possui ninguém, mas nos deliciamos brincando que isso é possível.
Ana Paula
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