Um blog sobre comportamento! Textos, poemas, delírios, pensamentos. Psicologia, arte, literatura. Sim!! Atelier da alma fala dos símbolos do coração!!
domingo, 27 de julho de 2008
Amor e espera
Não sei esperar...Mas tive que aprender!
Percebo que certas coisas fundamentais ,só nascem, quando aprendemos essa difícil arte...de saber esperar.
A espera faz com que o valor da chegada seja precioso.
Mas não me refiro' a espera passiva e escrava, mas sim ,da espera que se traduz na quietude dos acontecimentos externos, enquanto a alma se movimenta, se agita, esperneia, grita, vibra . Sentindo-se finalmente em paz quando a espera cessa e chega o que tem valor, o que foi tão desejado .
E então essa eterna transformação da alma ,deixa de ser solitária, angustiante´,para ser gigante em um abraço que registra o que chamamos de felicidade.
Nessa espera nossa de cada dia, há a solidão, o exercício de “desejar “verdadeiramente para não mais “precisar”, há o exercício da individualidade e não do individualismo, existem caminhos e o caminhar do ser que é e sempre será essencialmente andarilho.
Há os nãos necessários, os sins fundamentais, há o encontro do essencial e a despedida dos supérfluos.
Há o inferno, o sintoma, o luto, a depressão, a ansiedade...o desespero, o abandono , o desamparo.
Então, aprendemos que precisamos ser, matar a saudade da nossa alma, da nossa verdadeira morada.
E arrancar as máscaras. Principalmente as que servem de adorno para a satisfação do outro, as que escondem as lágrimas, o sorriso espontâneo, calam a gargalhada escandalosa.
Nesse tempo de espera, entendi que sou tantas coisas que não julgava ser, sou o que temia ser e por isso tantas vezes fingi, sem saber que estava fingindo, ser outra pessoa.
Então, assustada, triste e absolutamente sozinha desejei companhia, desejei sucesso e realização e abismada comigo mesma notei que havia uma pedra gigante, uma armadura potente, uma máscara estratégica... e claro, continuava só... Porque não conseguia me “apresentar” de verdade para as pessoas.
A espera faz isso, frustra, e aí vem a pirraça e vem a birra infantil e egocêntrica, compulsiva...A regressão...Até o momento que agente se vira do avesso e corta o que amarra, arranca a máscara que esconde, quebra a armadura que impede a fluidez.
E de repente, percebe que nasceu, renasceu e quando olha ao redor se assusta e nota que existem sons, pessoas... e reconhece que o medo de voar foi embora.
E é tão lindo deixar a alma ser plena, é tão lindo alçar o vôo que é digno para a grandeza da alma ...é grande e infinito o poder da espera que acontece quando a alma irrompe diante da pequenez do corpo atrofiado e medroso do ego.
Então ser luz, ser alma , ser sorriso para então ser encontro!”
Ana Paula de Rezende Fernandes