quinta-feira, 18 de março de 2010

Não apressarei o rio


A alma pede calma.
O corpo pede cama.
O coração deseja ouvir que você o ama.

Mas nada traz essa metade de volta.
Porque ela nunca chegou.

A alma pede alma.
A carne pede que nada seja em vão.

Que haja sol e não apenas farol.

Complexa com mais de mil anos.
De raízes profundas.
Tronco que se recusa a romper em todo vendaval.

Hoje abracei a mãe terra e ela me embalou em seus braços.
Sussurrou que tudo tem seu tempo.
Nada nasce em vão.

Fechei meus olhos, recostei minha cabeça, aquietei o vermelho pulsante em mim.

No outono as folhas caem.
No outono o vento sopra.
No coração do outono grandes transformações acontecem.


Hoje descansei minha fúria.
E decedi não apressar o rio.
Porque ele sempre corre por si só.



Ana Paula Rezende

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