
Não quero procurar refúgio na caixa de Pandora.
Não quero cultuar o passado, nem despejar o seu fel no mundo.
Não quero o medo que tolhe a minha expressão.
Quero, no palco da vida, minha melhor atuação.
Sei que ao patinar sobre o fino gelo, a segurança está na velocidade.
Sei que a terra guarda em seu ventre os segredos do tempo.
Ensina-me a ter calma e sabedoria.
Para não dar o salto insano que mata, nem obedecer a angústia que paraliza.
Quero essa música em meus ouvidos.
E que no momento de nossa estréia, você possa ser para mim o último e o primeiro.
Que minha essência inaugure um amor maior em você.
Amor que cura, com momentos de loucura, mas que abraça, escuta e cuida.
Não sei se somos atalho.
Não sei se somos um desvio.
Sei que nesse momento somos estrada, almas andarilhas, ciganos.
Esses caminhos se encontraram.
Que haja troca e crescimento.
Mas sem dor, sem mágoa, sem promessas que não podem ser cumpridas, sem mentiras.
Que haja o deleite e o delírio.
O sonho e a magia.
Não vamos nos refugiar na caixa de Pandora.
Nem derramar o fel no mundo.
Tiremos essa dor, essa falta, esse desamor, esse abandono, do peito, da mente, da alma, do corpo, do coração.
Então, leves ,seremos magos da paixão, crianças livres que brincam, se lambuzam, gargalham, abraçam e se aquecem...
A poetisa e o menestrel.
O mago e a imperatriz.
O moço e a moça.
O cigano e a cigana de cabelos negros, desejo rubro...
Simplesmente almas verdadeiras e intensas...
Ana Paula de Rezende Fernandes
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