O que você importa de quem importa?O que você tira de quem fica?
O que você recebe de quem parte?
Nesse mosaico me embaralho.
Porque sou mais eu quando estou contigo.
Então, o que será de mim se você partir?
O que será de nós, se você ficar?
Então, pensei hoje nas viagens que ainda não fizemos.
Imaginei o filho que não tivemos.
Visualizei a casa nossa que poderia nos abrigar e acolher.
E nessa viagem sem partida, mas com chegada ,me abraço tão forte e me faço carinho, viro bicho carente e digo:
_ Nonguém se basta!
Por isso, não se afasta, não cale, não parta.
E nessa angústia de ser demais de alguém me vi além.
Além do pão nosso de cada dia.
Além dos dias sucessivos de quem espera sem pressa o amanhã.
Me vi maior.
Me senti tão eu que confesso que doeu!
Porque por tanto tempo estive por aí, tão longe do que se passa aqui, no peito.
Tão alheia ao que minha alma anseia.
Vem!
Me dê a mão e me detenha se eu insistir em partir.
Em partir só.
E cristaliza esse desejo, essa fala, esse êxtase, esse gozo.
E amplifica essa voz, esse som, essa música!
Ana Paula de Rezende Fernandes
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