segunda-feira, 23 de março de 2009

Para ser inteira...

Talvez se um dia eu for diferente eu diminua essa dor latente.
Se eu for menos faminta sinta menos dor.
Se eu for mais normal temerei menos o desamor .

Talvez se eu fechar meus olhos dependerei menos do seu olhar.
Se eu não me importar você passe a me amar.
Mas meu olho está tão alerta com a retina aberta.
Minha fome não se satisfaz com o pão de cada dia.

O diferente faz morada nessa alma...
As diferenças não importam porque não sou escrava das semelhanças.

Meu corpo deseja a emoção.
Minha alma anseia pela paz.
Assim, sou quem é mordaz e também capaz de ser leal que nem o cão e independente como os gatos.
Já me revelei em tantas imagens e me perdi em tantos rostos de outros tempos.

Mas chegou ou chegará um novo tempo.
Um novo rosto mais sereno.
Uma alma menos gulosa.
Um amor sagrado porque cuida e é presente.
Amor que não mente e não vai embora de repente.
Amor capaz de ficar e fitar o olhar.
Amor que não faz rima com dor.


Haverá o fogo que não é brasa para a pele.
Haverá o fogo que não deixa o coração em cinzas.
Mas surgirá o fogo que é sinal de emoção que aquece e alimenta.

Chegará o momento que a transformação minha de cada dia, não será com punhal na mão.
Será sinal de evolução e de oração terna nesse coração.

Esse é um chamado.
Chamado para que eu desperte para o que é antigo e novo em mim.
Um chamado para que eu deixe ficar o bem.
Um chamado para que eu me despeça do mal.
E esses dois, o bem e o mal, em mim, se abraçarão para que eu seja inteira e completamente verdadeira.

Ana Paula

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