Talvez se um dia eu for diferente eu diminua essa dor latente.Se eu for menos faminta sinta menos dor.
Se eu for mais normal temerei menos o desamor .
Talvez se eu fechar meus olhos dependerei menos do seu olhar.
Se eu não me importar você passe a me amar.
Mas meu olho está tão alerta com a retina aberta.
Minha fome não se satisfaz com o pão de cada dia.
O diferente faz morada nessa alma...
As diferenças não importam porque não sou escrava das semelhanças.
Meu corpo deseja a emoção.
Minha alma anseia pela paz.
Assim, sou quem é mordaz e também capaz de ser leal que nem o cão e independente como os gatos.
Já me revelei em tantas imagens e me perdi em tantos rostos de outros tempos.
Mas chegou ou chegará um novo tempo.
Um novo rosto mais sereno.
Uma alma menos gulosa.
Um amor sagrado porque cuida e é presente.
Amor que não mente e não vai embora de repente.
Amor capaz de ficar e fitar o olhar.
Amor que não faz rima com dor.
Haverá o fogo que não é brasa para a pele.
Haverá o fogo que não deixa o coração em cinzas.
Mas surgirá o fogo que é sinal de emoção que aquece e alimenta.
Chegará o momento que a transformação minha de cada dia, não será com punhal na mão.
Será sinal de evolução e de oração terna nesse coração.
Esse é um chamado.
Chamado para que eu desperte para o que é antigo e novo em mim.
Um chamado para que eu deixe ficar o bem.
Um chamado para que eu me despeça do mal.
E esses dois, o bem e o mal, em mim, se abraçarão para que eu seja inteira e completamente verdadeira.
Ana Paula
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