segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O escafandro e a borboleta






Assisti ao filme “O escafandro e a Borboleta”.


Sim, imaginei que seria um enredo forte, mas confesso minha angústia ao vê-lo e a necessidade de uma paradinha para a água...




Então, sábado a tarde sozinha, nesses dias de solidão bem vinda, tomei coragem e assisti a história verídica do editor da Elle, homem bonito e interessante que aos 41 anos sofre um mal cardíaco e é acometido por uma síndrome rara e fica paralizado.


Ele acorda e lá está no hospital , ao falar percebe que ninguém o escuta.


Mas tem sua memória preservada e tão viva quanto antes,mas seu corpo não obedece aos comandos.


Apenas um olho que se move e vê o mundo e é assim que ele passa a se comunicar.


Através desse olho, como um sopro de vida, com uma piscada “diz” Sim, com duas piscadas diz “Não”.


E nessa comovente história, percebo que existem muitos “escafandros” que nos aprisionam.


A libertação se dá através de viver o momento, dizer o que precisa ser dito, estar com quem é preciso estar, fazendo o que precisa ser feito.


Durante o filme fica claro os telefonemas não feitos, as palavras não ditas, o carinho não expresso quando era preciso.


Então, através de um método elaborado pela fono ele consegue “ditar” o escafandro e a borboleta, o livro que inspirou o filme.


O interessante, é que ainda bem de saúde tinha vontade de escrever um livro e já tinha um acordo com determinada editora.


Queria escrever “O conde de Montecristo” em uma versão moderna, onde seria a mulher uma protagonista.


E durante a doença se percebe como o Conde de Montecristo “preso” em uma profunda transformação.


Constato como há uma diretriz do self, conhecida através dos símbolos e das escolhas de vida.


A própria identificação com um personagem, a escolha de uma história e de símbolos vitais.


Ele morre dez dias depois do livro ser editado, na realização do desejo de mostrar o nascimento da borboleta, a possibilidade desse nascimento acontece na constatação da prisão e na confrontação com os próprios sentimentos.


Quando você está preso e não há saída, resta apenas olhar pra dentro, confrontar-se.


Não tem como correr.


Não tem como fugir.


Você está ali e deverá ser a sua melhor companhia.






Um texto não existe até ser lido.


Uma vida não existe até ser vivida.


Um amor não existe até ser correspondido.










A dificuldade em estabelecer um compromisso é que você se”torna presente” e sua vida se torna “real”, e assim deixa de ser um plano, uma hipótese ou uma possibilidade.










Uma história comovente e não tão distante de nosso dia a dia.


É preciso se conectar com a própria essência e desfazer o escafandro, mas permitindo que a borboleta nasça e voe.














Ana Paula de Rezende Fernandes -


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