domingo, 25 de outubro de 2009

O felino em nós....




O felino em nós aparece quando deixamos de lado o  ferido que nos visita  naqueles dias em que tudo parece pequeno demais.


O felino ruge quando há entrega.
A entrega precisa de confiança e como andamos sempre tão desconfiados nosso leão se emudece e adoce.


O felino é sensual e o sexual é continuidade desse ritual lindo de carinho contínuo.
Em nossa ânsia compulsiva nos esquecemos de tantos ritos que precedem ao ato.



Os felinos são incompreendidos porque embora extremamente afetivos são conhecidos como frios, interesseiros...
Eles são livres sim.
Mas sua liberdade não descarta o vínculo.
Diria  que o amor felino tem um que de liberdade vinculada.
Não corresponde ao modelo sufocante do amor humano onde há a ilusão que dois  juntos se tornam um.
Nem ao modelo de relacionmento aberto, onde todo mundo é de todo mundo e ao mesmo tempo não é de ninguém.




Sempre que olho os felinos e acaricio os gatos, porque eles sempre vem ao meu encontro, aprendo que 
eles são mestres na arte de amar e  de se doar  sem perder sua individualidade.




Quero você para você mesmo.
Quanto mais nos pertencemos mais podemos nos doar e nos entregar.



Que o livre em nós possa se traduzir  na doce e intensa entrega dos felinos.
Que esses feridos possam ir, partir, sumir!
E que o rugido possa ser ouvido e celebrado.
Para que a  arte felina possa ser vivenciada: 
"Juntos somos muito mais do que separados."

Ana Paula

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