terça-feira, 6 de abril de 2010

Alien

Não sei se me ausento de vez.
Se risco o "Era uma vez...e foram felizes...por um bom tempo."
Ou se te espero.
Já nem sei se ainda quero.
Porque quando quero te comer você virá água .
E quando quero matar a sede em você , vira rocha, terra árida.

Já tentei entender.
Já acreditei que podia transformar.
Bobagens de uma sonhadora.

Conheço o menino carinhoso que existe por trás do homem de poucas palavras.
Conheci  o homem sedutor por trás do tímido com suas piadas e risadas.

Conheci aquele que ainda não cresceu.
Conheci aquele que quer ser livre como se amar fosse uma prisão.

Conheci tantos em você.
Conheci tantas em mim.

Achei que eu pudesse reter.
Quis tê-lo pra mim.
Não nego minha intensidade nem a passional que há em mim.

Hoje, sou partida.
Hoje, sou alguém mais doída.

Hoje, fico apenas quieta a falar com meu Deus.
Porque sempre é Ele que ouve o inconfessável em nós.

E na quietude.
Não serei chegada.
Não tentarei mudar você.
Não acreditarei que poderei preenchê-lo e nem libertá-lo.

Não sei se me ausento de vez.
E risco seu telefone.
E esqueço seu endereço.
Ou pela última vez acredito no "era uma vez, duas pessoas que decidiram que o amor pode acontecer na leveza e na solidez da lealdade de serem um do outro de verdade...".


Ou se parto na minha nave espacial e volto para o meu planeta.
Planeta careta que acredita no amor renovado, reciclado, sagrado...

Saudades do meu planeta.
Pelo jeito vou ficar lá de vez.



Ana Paula Rezende

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