terça-feira, 20 de abril de 2010

Pêlos e pele


Ela adora passear os dedos nesses pêlos.
E roçar a pele alva com calma .

A   pele delicada encontra o  pêlo felino.

Durante horas, palavras soltas, com as mãos perdidas e deslizantes.
Encontros delirantes.
Amores pueris e febris.

Amor que pede bis e diz que não existe raiz.
Apenas felinos.
Apenas enroscados, pele, pêlo, gosto e cheiro.

Que seja inteiro.
Que seja mais amanhã.
Que resista a manhã.
E entenda toda manha.
E perdoe toda gana.
E conceda história nada simplória.
Mas sim a glória de experimentar o divino sendo humano.
E se fortaleça na árdua tarefa de viver a realidade.

Ana Paula de Rezende

Nenhum comentário: