segunda-feira, 28 de junho de 2010

Blindada

Depois de tanta dor.
Depois de tanto alvoroço.
Depois daquele moço.
Pareço blindada.
A alma , o coração, a boca, o olhar...

Socorro!
Quem é essa?
Desconheço essa mulher.
Mas confesso que ela me protege.
Ela é guerreira.
Ela não golpeia a toa.
Mas sabe fazer doer porque é prima-irmã do caos.

Ela pensa.
Ela respira profundamente antes de decidir.
Ela não abre a guarda.
Ela acordou faz pouco tempo.
Mas já fez barulho, já pulou o muro, ela não quer amarras, ficou tanto tempo na masmorra.
Que não importa se a outra morra.

Blindada.
Ousada.
Calada.
Lunar.

Socorro!
Não me reconheço.
Mas é assim que me amanheço.
Desde aquele começo, desde aquele tropeço.

Mas ela me disse pra não temer.
Porque há tempos o destino só fez tecer essa roupa nova.

Blindada.
A prova de balas, de maldade, de desamor, de rancor, de dor.


Ela anda com passos largos e decididos.
E desfaz a menina insegura a espera dos ditos...

Ela arranca.
Ela mata a fome.
Ela sacia os desejos.
Ela  acorda os temores e os exorciza.
E diz que não precisa da dúvida, do decidir do outro.


Ela é prata.
Ela é noturna.
Mas sabe ser solar.

Ela mata e faz viver.

Somente o que a faz crescer.

Ana Paula Rezende

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