Quando eu era pequena sonhava em ser bailarina.
Assistia em êxtase toda apresentação de balé clássico e me encantava com aquele movimento leve e sutil.
Mas eu estava mais para a Mônica com seu sansão em ação do que a bailarina cor-de-rosa.
Depois sonhei em ser uma jornalista e a redação me atraía de uma forma maravilhosa.
Mas meus caminhos de certa forma mudaram e eu fui ser professora e depois psicóloga.
Então deparei-me com a arte, símbolos, sonhos, cores e formas e os integrei ao meu trabalho.
Com o passar do tempo, me senti meio alquimista e todos esses sonhos e desejos de certa forma entraram no grande caldeirão.
A menina sonhadora cresceu.
Muitos sonhos foram tolos, outros arrancados, alguns anulados, muitos foram transformados, tiveram também aqueles inconfessáveis e também os suplicados.
Fui muitas vezes fui a sacerdotisa em outras fui a esfinge.
Alguns sonhos foram solitários outros compartilhados...
Hoje, olho para trás, em tudo deve ter tido um sentido.
Ás vezes acho graça, outras vezes fico triste, é difícil desistir de sonhos ou se despedir deles.
É difícil crescer e permanecer inocente.
Quando o corpo mente pra alma.
Quando a alma engana o corpo.
Quando fazemos parcerias mentirosas.
Quando abraçamos uma causa sem propósito.
Sonhar é preciso mas viver é urgente.
Que a mulher converse com a menina.
Que a guie e a ajude a compreender pelo o que vale a pena lutar e sonhar.
Ana Paula de Rezende

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