Ela queria ter a certeza do amor.
E ela desejava que ele saísse correndo ao seu encontro quando , de repente, ficasse com aquele aperto no peito.
E que ele estivesse por perto quando ela precisasse do riso escancarado para anular toda e qualquer amargura que ainda tivesse na alma.
Que ele esqueça do próprio egoísmo, de vez em quando, e a olhe o tempo que fosse preciso.
Que eles até briguem por ciúmes, ela não se importa, porque a paixão é insana.
Mas que façam as pazes muito rápido, porque a paz é sinal de amor.
E ela sabe, finalmente, que é preciso amar e ser amada.
Que eles saibam ler e entender os seus códigos.
Que ele saiba o momento de ficar e a hora exata de ir, mas que mesmo assim permaneça.
Que eles fiquem juntos inúmeras horas e embora o tempo continue a passar a vontade cresça.
Que eles possam se traduzir mesmo no silêncio de cada encontro real.
Que eles se sintam plenos mesmo que nada de extraordinário aconteça.
Que eles se bastem na loucura e na serenidade, pois elas moram na mesma casa.
Eles são diferentes, eles são iguais, eles não desejam ser normais, eles tem paz em cada beijo e em todo abraço.
Que ela seja para ele sempre bela.
Que ele seja para ela sempre o porto seguro.
Que eles sejam amor nunca rimados com a dor.
Que haja aceitação incondicional mas nunca acomodação.
Que o tesão rime com a paixão e desabroche no amor contínuo.
Que seja intenso e lindo.
Que ela se sinta curada e não sangre mais.
Que ele se sinta profundamente amado.
Que todo erro, cada vão, seja perdoado e calado.
Ela é louca e o provoca com a voz rouca.
Ele é bruto e a ama com a docilidade ímpar.
Ana Paula de Rezende

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