sexta-feira, 4 de junho de 2010

Cura


Curar o passado é se permitir viver o presente.
Ontem percebi que ainda sangrava e que ainda doía o que achei que já estivesse superado.
Então, lembrei-me quando era pequena que minha avó materna dizia que na roça quando alguém era ferido e atingido por algum tipo de veneno era preciso fazer doer, pressionando, para que saísse tudo...
Folclore ou não....fiz isso.

Então voluntariamente deixei doer e sangrar até depurar todo veneno que pudesse ainda estar retido em mim.

Então lembrei de estar passando por um trâsnsito de plutão, sorri, embora para quem sabe o que isso significa, sorrir seria a última reação esperada.

Uma quadratura de plutão, uma regeneração tão grande e absurdamente assustadora.
Eu diria que é como nascer de novo.
Parir a si mesmo, parir a própria essência e encontrar o próprrio poder.

Pessoas e acontecimentos fazem parte desse processo.
Despedidas, novos começos, novos saberes.

Então, estudante de mim mesma.
Agradeço  e desejo tanto a sensação paradisíaca do alívio após a dor.
Aquele silêncio depois de uma guerra.
A brisa depois da devastação.

O terreno não está mais árido vejo que flores começam a germinar.
Começo a me encantar com o simples.
E hoje valorizo tanto quem está ao meu lado.
Quem permanece depois do caos.

Curar o passado e viver o presente.
Acalmar a ansiedade.
Aquietar a alma.

Deixo ir tudo que não deseja permanecer.
Deixo ir tudo que não me faz bem.
Abraço com carinho tudo que nutre a alma e faz festa na minha existência.

Ontem foi um desses dias de retiro comigo mesma.
Onde você fica quietinha e volta mais forte.

Ontem foi um dia especial porque ouvi e falei com quem se importa comigo.

Curada.
Amada.
Querida.
Desejada.

Darma....

A cura chega quando a função da dor acaba.




Ana Paula de Rezende

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