
Durante muito tempo a lagarta adormeceu em seu casulo.
Esteve em sono profundo.
Não era um sono qualquer, era um sono iniciático.
Sim!
Clausura, metamorfose e emergência.
Então, dentro daquele casulo, asas começaram a despontar...
Cores lindas surgiram...
Ali começou a ficar apertado demais, escuro demais e a lagarta se moveu, se moveu e na terceira vez o casulo se rompeu.
Aquele vento em seu corpo foi um misto de prazaer e medo.
Sentia-se vulnerável.
_ O que será de mim agora?
Não tenho mais minha proteção....
Falava para si mesma a lagarta.
Então passava ligeira e faceira uma borboleta multicolorida em seu vôo espetacular, deu voltas e parou no ar ao ouvir as palavras proferidas por aquela estranha recém-chegada.
_Proteção?
Você não precisa mais dela.
Você passou o tempo que precisava dentro do casulo.
É chegada a hora de voar!
_Voar?! Perguntava atônita a lagarta
_Claro! Voe!
_Mas eu sou apenas uma lagarta....
_Não mais. Seja bem vinda borboleta multicolorida.
Então chamou-a até um lago.
A lagarta viu extasiada através do reflexo da água que sim, era uma linda borboleta tão bonita quanto àquela que havia feito aquele vôo espetacular enquanto ela pensava ser algo tão distante de sua realidade.
Então emocionada olhou para a sua mais nova amiga:
_Obrigada!
_Não precisa me agradecer. Você simplesmente é...chegou o momento de ser como eu uma libélula.
_Obrigada sim!
Se não fosse você, eu continuaria a achar que era uma lagarta, não ousaria realizar um vôo como o seu.
E assim, ela teve a descoberta de sua metamorfose.
Quantas vezes, embora borboletas, continuamos a pensar e a agir como lagartas?
Ana Paula de Rezende Fernandes


