segunda-feira, 20 de julho de 2009

Pesadelo


Hoje tive um sonho ruim.

Para quem valoriza os sonhos como eu, isso é especialmente doloroso.

Há muito tempo não acordava assim, taquicardia no meio da noite.

Aquele sentimento idêntico quando somos crianças e corremos para o quarto dos pais.

Aí você se dá conta que cresceu, seus pais não estão no quarto ao lado.

Agora sou mãe e isso redimensiona ser filha.


Então racionalizei, enxuguei as lágrimas e tentei dormir mais.

Mas eis um sonho teimoso, que continua a me atormentar como num segundo capítulo...


Eis a solidão de fazer o café e não poder compartilhar esse momento.

Eis o preço de ser adulta e escolher cuidar de si mesma.


Lembrei sim, de algumas pessoas que gostaria de abraçar e pedir que apenas me abraçasse e fizesse um carinho.

Mas as 4 horas da madrugada seria incompreensível.

Imagina só....acordar o outro e dizer tive um pesadelo!


Hoje a menina que existe em mim gritou.

E me fez lembrar que sou também frágil e medrosa.


A guerreira baixou a espada e a lança , abraçou a menina.

E choraram juntas.


Hoje eu tive um sonho ruim.

Acordei chorando.

E ninguém por perto.

Apenas a chuva lá fora que parecia chorar esse choro abafado comigo.


Ana Paula

sábado, 18 de julho de 2009

Estranhos e íntimos


Ele sempre percebe o que está por trás das palavras dela.

Eles são tão estranhos e tão íntimos.

Estão distantes mas tão próximos.





Há um amor presente mesmo que ausente.


Esse amor se nega a rimar com dor.


Esse amor namora e não quer demora.






Existem mais estranhos entre esses íntimos.







Ela traduz o desejo dele.


Ele aguça a imaginação dela.





Ela diz que é dele.


Ele quer ser dela.







Mas esses estranhos sempre se distanciam quando outros estranhos se aproximam.




E a intimidade se revela triste porque sempre a porta se fecha em dias de festa.








A música tocou mas ela não dançou com ele.


A festa começou sem a presença dela.








E assim, continuam dois estranhos, no meio de tanta gente estranha...








Mas eles sonham os mesmos sonhos.





Eles sabem o que há por trás de cada palavra dita, sentida e silenciada.





Ela quer ser a amada.


Ele quer que ela espere a próxima temporada.








E cada um com suas dores, amores, dissabores continuam pela estrada.





São tão íntimos e tão estranhos.








A música toca e o vento sopra...


E espalha o mesmo som e o mesmo tom....aqui....e aí.








Estranhos.


Íntimos.







Confessam o que ninguém mais sabe.







Que essa dança aconteça e amanheça.





Que eles possam ser íntimos e reais.








Ana Paula

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Imperfeições

Se ninguém é perfeito pra ninguém
Que a nossa imperfeição
Se encaixe
Perfeitamente...


Que a minha sensatez abrace a tua loucura.
Que a tua insanidade me torne plena.
Que as nossas almas brinquem até quando estiverem chorando.
Porque nessa história o riso compreende a lágrima e a gargalhada abraça a complexidade.
Porque somos assim tão diferentes e tão complementares.



Mas se ele não estiver presente que ela possa ir em frente...


Ana Paula

domingo, 12 de julho de 2009

Essência e Rebeldia


"Eu ilumino a sua rebeldia e a sua capacidade de trazer algo novo ao mundo.

E você, traz o novo para minha essência."



Hoje eu preciso de você para trazer luz ao que é selvagem e indomável em mim.

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra que seja sua.



Deixa eu tocar sua essência.

E com ela fazer música, ser lúdica, ser louca e a boca que traduz o mistério que é você.


E assim,

Som e silêncio.

Dor e prazer.

Loucura e sabedoria.

Oração e magia.

Queijo e goiabada.


E quando estivermos tristes que haja o abraço.

E quando tudo parecer pouco que esse louco em nós saiba gargalhar.

E quando tudo parecer morto que em nós a vida clame e pulse.

E quando houver solidão que você seja meu irmão.

E quando tudo gritar ao redor de nós que façamos uma dança.

E se os olhos parecerem vendados que as mãos conduzam os passos.

Mas se os caminhos se desencontrarem que haja na alma para sempre um atalho.


E no momento em que eu estiver velhinha ,ainda possa dizer teu nome.

E onde você estiver, possa me responder que ainda há tanto a celebrar...


Ana Paula Rezende

O inesperado


O inesperado pode ser sagrado.

O inesperado pode ser ignorado.

O inesperado pode até ser amado.



Mas quando o inesperado cruza o seu caminho e se anuncia em seu destino o que você faz?



Deixa-o ir embora?

Vai ao seu encontro?

Permite que ele surja as olhos alheios?



Há tempo para tudo...

Há tempo para nascer .

Há momentos que a vida pulsa.

E há aquelas horas em que tudo é morte .

Algumas vezes Deus no entrega o tempo e diz :

_ Decida se vai ficar ou se vai partir.


É um momento tão raro e tão caro.

Decidir se o inesperado será sagrado ou profano.


Decida-se e não olhe para trás.

Porque a vida espera por você de braços abertos.


Ana Paula Rezende

sábado, 4 de julho de 2009

Ele não está aqui


"Eu não vou pedir que me esperes porque eu não sei se vou chegar."



Assim ele disse.

Assim ele foi.


E assim,não há espera.

Não há promessa.


Mas o que ela pode fazer se ele acendeu um desejo, se ele mexeu no coração dela e acordou o seu corpo?


O que falar dessa fome e dessa sede?

Como explicar a saudade, essa falta que só se cala diante da presença?


Existe uma voz, uma imagem e muitas palavras.

Existe a sinceridade e um sentimento que é de intensidade.


Tantos quilômetros, tantas estradas, tantos pedágios e quanta vontade da chegada...


Ela imagina e alucina.

Ele dedica uma música e se aproxima.


Ela está triste.

Ela acordou e desejou que a geografia mudasse, que a aliança dele não existisse.


Ele partiu e ela sentiu.


Ela percebeu que está nas alturas.

Ela se recusou a medir o tamanho do tombo.


Ele é lindo.

Ela é linda.


Eles choram.

Eles dão risadas.


Eles viraram adolescentes.

Ela é o que ele precisa.

Ele tem o que ela deseja.


Mas não existem promessas.

Não existem cetezas.

Não há espera.


Então pega um avião...

Pousa de vez nesse coração.



Mas ele diz que não o espere.



Ela está por aí.....


Ele está por lá.....


Muitos aviões sobrevoam...

E povoam o céu.


Ela quer mel.

Ele quer não ser cruel.


Mas não há promessas, não há certezas....


Haverá chegada?

Ela será a amada?


Eles não sabem.

Embora ele saiba ensinar...

Ela só sabe amar.




Ana Paula Rezende

quinta-feira, 2 de julho de 2009

No meio de tanta gente...


E no meio de tanta gente sem graça eu encontrei você.

Diante da multidão, da sala cheia, você me chamou.

E nessa hora veio o sorriso e a alegria da sua companhia.


E junto, a vontade louca da presença.

O medo do desencontro.

Õ sentimento e a harmonia.


Menino do sorriso iluminado, do jeito travesso, do tempero perfeito...


E no meio de tanta gente comum nos achamos.

Quero deitar no teu peito, sussurrar tudo o que não é direito, desarrumar teu cabelo e arrumar esse desejo.

Quero você assim, meu avesso e meu complemento...




Ele diz que é louco.

Ela é mestre na loucura.


Ela é arrumadinha.

Ele desarruma e perfuma a alma dela.


Mas são dois enamorados, encantados, enfeitiçados.....e amados.


Que seja belo.

Que seja alegria.

Que seja suor.

Que ele seja dela.

Que ela seja dele.



E que no meio de tanta gente chata e sem graça eles continuem a se encontrar, conversar e amar.


Ana Paula