quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Curiosa

~


Eu confesso:

Sou curiosa.
Sou dengosa.
Sou bicho do mato.
Sou ser noturno.
Sou intensa.
Sou dramática.
Sou instável.


Procurei um bicho que me representasse.
Pensei nos felinos que amo.
Pensei nos lobos que admiro tanto.
Pensei na harpia e na águia que são magníficas.
Pensei nos seres aquáticos já que sou tão emotiva.
Mas quando me deparei com essa coruja apaixonei!
Sou eu!!!
Curiosa, noturna, misteriosa...
É um filhote....acho que serei  pra sempre um filhote....


Ela mistura o arquétipo do saber sendo ainda uma criança.
Deve ser por isso que amo uma roda de histórias, uma ciranda e muito cafuné.....rs.


Ana Paula



"Nem entender, nem desistir."

Zen Budismo

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um antídoto urgente




Preciso urgente de um antídoto....
Preciso urgente virar a página.


E ler um livro novo.
Olhar uma nova paisagem.


Preciso de um antídoto que transforme tristeza em alegria.
Preciso de um antídoto....que me faça ser mais simples.
Preciso de um antídoto que me faça ser menos sensível.
Preciso de um antídoto que me deixe mais ignorante ...

Nem que seja por um instante.


E ser assim diferente da Ana.
Ser menos plutoniana.
Ser menos uraniana.
Ser menos venusiana...


Ser como qualquer pessoa que é feliz e pede bis pra vida.


Ando cansada de ser eu.
Cadê o antídoto?


Não quero mais ser tanto como dizem que eu sou.
Na verdade quero ser apenas feminina...sem tantos aparatos e artefatos.
Quero alma nua e pés descalços.
O salto cansou meus pés.


Quero um antídoto...
Quero uma música...
Quero uma dança...
Quero pincéis....
Quero arte ....


Mas acho que vou pra marte.


Vou para o planeta vermelho.
Afinal ando tão assim.....
Que lá os marcianos vão se apaixonar por mim!



Ana Paula

domingo, 25 de outubro de 2009

Mergulho




Mergulho fundo e profundo nessa aldeia...
Um salto no escuro no que há de mais obscuro.
E procuro nesse mergulho a essência que permeia
a sede da alma.

É um mergulho nu  e sem orgulho.
É um mergulho e um salto que embora profundo te eleva tão alto.

É uma viagem ao centro de si mesmo.
Ás vezes parece que ando a esmo.
Mas é quando o coração está cansado que a paisagem se torna nova,

Então é possível nadar em águas calmas e claras.
E caminhar sendo herói de si mesmo.


Mergulho e ouço o vento.
Mergulho e me alcanço por dentro.
Mergulho e provo a água salgada.
Mergulho e me torno alma renovada.


Água de rio....
Água do mar...
Água do ribeirão...
Água da fonte que me conduz pra  ponte depois de tanto se perder.


Ana Paula

O felino em nós....




O felino em nós aparece quando deixamos de lado o  ferido que nos visita  naqueles dias em que tudo parece pequeno demais.


O felino ruge quando há entrega.
A entrega precisa de confiança e como andamos sempre tão desconfiados nosso leão se emudece e adoce.


O felino é sensual e o sexual é continuidade desse ritual lindo de carinho contínuo.
Em nossa ânsia compulsiva nos esquecemos de tantos ritos que precedem ao ato.



Os felinos são incompreendidos porque embora extremamente afetivos são conhecidos como frios, interesseiros...
Eles são livres sim.
Mas sua liberdade não descarta o vínculo.
Diria  que o amor felino tem um que de liberdade vinculada.
Não corresponde ao modelo sufocante do amor humano onde há a ilusão que dois  juntos se tornam um.
Nem ao modelo de relacionmento aberto, onde todo mundo é de todo mundo e ao mesmo tempo não é de ninguém.




Sempre que olho os felinos e acaricio os gatos, porque eles sempre vem ao meu encontro, aprendo que 
eles são mestres na arte de amar e  de se doar  sem perder sua individualidade.




Quero você para você mesmo.
Quanto mais nos pertencemos mais podemos nos doar e nos entregar.



Que o livre em nós possa se traduzir  na doce e intensa entrega dos felinos.
Que esses feridos possam ir, partir, sumir!
E que o rugido possa ser ouvido e celebrado.
Para que a  arte felina possa ser vivenciada: 
"Juntos somos muito mais do que separados."

Ana Paula

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Namastê




Quando duas pessoas se encontram os deuses que os habitam se abraçam.
Há muitos tipos de abraços.
Existem os que aprisionam.
Tem os que aconchegam.
Há aqueles que nutrem.
Alguns conquistam.
Outros afastam...


Sempre valorizei o abraço.
Porque nele visualizo um laço.


Um laço translúcido...
Um laço magnético...

É possível ouvir esse outro Deus  quando no abraço o peito se abre.
Abraço é entrega.
Abraço é igualdade na diferença dos corpos.


Tem abraço que causa embaraço...

Mas amo mesmo aquele abraço que não dá vontade de largar nem  de desfazer....
Porque nele existe tanto prazer...


Através dele, o abraço, podemos sentir quem é da nossa tribo.
É só deixar o instinto e o divino murmurar...


Um dia desses encontrei um abraço assim...que  enlaça. 
É terapêutico, diria eu, abraçar e se conectar com partes nossas espalhadas por aí, noutras almas.


Namastê.....

Abrace...
Enlace...
O outro e você....respire e agradeça essa  troca.


Não importa...se cruzaremos novamente a mesma porta....
Quem se abraçou com a alma nunca mais esquece! 



Ana Paula

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Águas



Hoje batizei a profana nessa água translúcida....


E o reflexo que sorriu foi tão sagrado e mesclado com o dourado desse sol...


Tão linda essa imagem...miragem de ser integração....
Saboreei essa água e lavei a alma sorvendo toda calma merecida.  
Tão bem vinda essa alma renovada, lavada, lavanda,menina e mulher.

Quanto tempo não me sentia tão bem em minha própria pele.
Saí do outro.....não sou de ninguém.
Ninguém mais me detém nem me possui ....
Apenas a dança desse vento em meu cabelo....
A água serena desse mar....
Essa terra sob meus pés....
Esse fogo dourado e amado do sol ....
Essa luz da lua cheia...que permeia a feiticeira que  eu sou .


Hoje brindei com água....


Amanhã brindo com vinho...
Sim.....rubro....que me deixa rubra....lábios cor de sangue.
E alma multicolorida....com sorriso pueril....


Hoje água....
Apenas água.



Ana Paula

Desejo



O desejo não se satisfaz com a calma da necessidade.
O desejo não  se cala diante do ato.



O desejo adora quem o arranca da solidão.
O desejo ama essa pulsão que respira ao vento.
E não se ressente quando há vendaval.
O intenso não lhe faz mal.
Apenas o banal  lhe parece fatal.


Ela se entristeceu quando ele fechou a cortina.
Ele quer tirá-la da retina...

Ela quer ser mirada pelo que há de mais bélico e fálico nele.
Ele sabe que corre o risco de ser dela.
Ela é mestre na loucura e não se intimida com sua insanidade.
Apenas sente saudade e sabe que é maldade a noite acabar cedo demais.


Ana Paula

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Desculpe




Desculpe se nas minhas veias não correm futilidades.
Desculpe se em minha mente não cabem os preconceitos.
Desculpe se minhas pernas preferem a dança ao compasso simétrico.


Mas não me desculpe se no meu coração só cabe a verdade e a lealdade.
Não desculpe também as minhas bobagens, as minhas manias e a menina teimosa que há em mim.
Porque a sonata que toca agora é bem, é zen, é luz...


Ana Paula

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Descobertas





A vida nos retribui com descobertas.
Talvez seja a consequência de cada experiência significativa.


Só descobrimos o que nos sustenta quando tudo o mais que pensávamos nos sustentar não nos comove mais.


O tempo passa e muitas vezes torna-se predador das utopias.


Percebo que dentro de mim morreram muitos tigres.
No entanto os que ficaram estão livres.



Descobri com o tempo que de nada adianta derrubar portas.
Que é preciso alegria e gargalhada mesmo quando a  nossa criança parece perder a esperança e a graça.
Descobri que  partimos muitas vezes, porém, nem sempre chegamos.
Porque a chegada depende da coragem de perder-se.


Descobri que o tempo leva  a ingenuidade e que nos desafia a não perder a inocência.
E o desejo de acertar.
E não se acomodar na armagura dos seres covardes e mesquinhos.
E também a se entregar a cada encontro e  a crescer além das armaduras e armadilhas.


Descobri que nada é por acaso.
Mas que toda permanência é um trabalho árduo e diário.


Que os homens não são de vênus ,mas nós mulheres, insistimos em acreditar que sim.
E toda vez, esperamos uma atitude romanticamente feminina de um marciano.
E reclamamos das mesmas coisas...
E nos frustramos pelos mesmos motivos.



Descubro a vida.
Descubro o rosto.
Descubro o corpo.
Desnudo a alma.
Perco a calma.
Me torno alva.


E  permaneço andarilha e caçadora de mim mesma.
E continuo a crescer e a  descobrir que os capazes são aqueles que não tem medo de ter medo que se dão como pão aos famintos.
Que se tornam vinho na boca sedenta.
A chuva na tarde de verão.
O cobertor na madrugada gelada.
Que sabem abraçar, beijar, olhar, ouvir , falar... tocar  e trocar descobertas....


Descobri que nem  toda história deve ser vivida até o final.
Apenas as memoráveis e que nos tornam tesouros a serem descobertos por quem chega,



Descobrir é abrir o baú e vasculhar até encontrar...
E amar o  simples mas também o complexo.
É ter  o sexo como o ritual sagrado de quem se sente amado.
 



Ana Paula de Rezende Fernandes

O escafandro e a borboleta






Assisti ao filme “O escafandro e a Borboleta”.


Sim, imaginei que seria um enredo forte, mas confesso minha angústia ao vê-lo e a necessidade de uma paradinha para a água...




Então, sábado a tarde sozinha, nesses dias de solidão bem vinda, tomei coragem e assisti a história verídica do editor da Elle, homem bonito e interessante que aos 41 anos sofre um mal cardíaco e é acometido por uma síndrome rara e fica paralizado.


Ele acorda e lá está no hospital , ao falar percebe que ninguém o escuta.


Mas tem sua memória preservada e tão viva quanto antes,mas seu corpo não obedece aos comandos.


Apenas um olho que se move e vê o mundo e é assim que ele passa a se comunicar.


Através desse olho, como um sopro de vida, com uma piscada “diz” Sim, com duas piscadas diz “Não”.


E nessa comovente história, percebo que existem muitos “escafandros” que nos aprisionam.


A libertação se dá através de viver o momento, dizer o que precisa ser dito, estar com quem é preciso estar, fazendo o que precisa ser feito.


Durante o filme fica claro os telefonemas não feitos, as palavras não ditas, o carinho não expresso quando era preciso.


Então, através de um método elaborado pela fono ele consegue “ditar” o escafandro e a borboleta, o livro que inspirou o filme.


O interessante, é que ainda bem de saúde tinha vontade de escrever um livro e já tinha um acordo com determinada editora.


Queria escrever “O conde de Montecristo” em uma versão moderna, onde seria a mulher uma protagonista.


E durante a doença se percebe como o Conde de Montecristo “preso” em uma profunda transformação.


Constato como há uma diretriz do self, conhecida através dos símbolos e das escolhas de vida.


A própria identificação com um personagem, a escolha de uma história e de símbolos vitais.


Ele morre dez dias depois do livro ser editado, na realização do desejo de mostrar o nascimento da borboleta, a possibilidade desse nascimento acontece na constatação da prisão e na confrontação com os próprios sentimentos.


Quando você está preso e não há saída, resta apenas olhar pra dentro, confrontar-se.


Não tem como correr.


Não tem como fugir.


Você está ali e deverá ser a sua melhor companhia.






Um texto não existe até ser lido.


Uma vida não existe até ser vivida.


Um amor não existe até ser correspondido.










A dificuldade em estabelecer um compromisso é que você se”torna presente” e sua vida se torna “real”, e assim deixa de ser um plano, uma hipótese ou uma possibilidade.










Uma história comovente e não tão distante de nosso dia a dia.


É preciso se conectar com a própria essência e desfazer o escafandro, mas permitindo que a borboleta nasça e voe.














Ana Paula de Rezende Fernandes -


domingo, 18 de outubro de 2009

Música


A essência não está na letra.
Ela mora na música.
Ela se encanta na voz.
Ela se anuncia no beijo.
Ela se expressa no olhar.
Ela se apaixona no abraço.



Ana Paula

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Na fragilidade, a nossa força.

Existem territórios nossos onde as tocaias são abolidas, onde o medo se apaga.
Nessa parte primitiva nossa, o animal que nos habita determina  o seu lugar de poder.
Muitas vezes ,o  nosso lado sublime e humano se aterroriza diante desse mundano que há em nós.

O nosso legado é reconhecer essa fragilidade é estar ciente da própria precariedade.
Conscientizar-se da morte para verdadeiramente viver.

É verdade que os momentos de amor são efêmeros, mas é assim com todos os momentos.
Não é por acaso, que os animais se entristecem após o coito.

O prazer e a alegria tornam-se assim sábias diante da finitude.
Talvez a verdadeira sabedoria passe exatamente por aí, pelo prazer e pela alegria.


A união feliz dos corpos é talvez o único momento , junto com alguns momentos de êxtase diante da arte, em que eu assumo e seguro essa fragilidade tão minha nos braços. Ela escapa e volta em uma dança única.
Eu a aprecio. Meu prazer repousa nessa fragilidade...

Ah...se eu fosse tão forte....tão indestrutível esse prazer seria inacessível, essa alegria não se instalaria.


Eu desconfio dos puritanos, das privações de amor, voluntárias ou impostas...
Não sou sólida, não sou pura, não sou perfeita...

Eu viro as costas para quem não corre riscos e que sempre tem um guarda chuva na bolsa caso chegue uma tempestade....

Eu   renuncio os nunca compromissados,  porque levam a vida na eterna possibilidade de algo diferente acontecer na  espera  de alguém que caiba em seus modelos perfeitos.


Eu dou as mãos para quem é intenso, humano e animal, para os leais de alma, de coração....

Onde estarão os frágeis e por isso fortes?
Por onde andará aquele que compartilha seu prazer e ama a presença?


Definitivamente ,atrás de nós, existe uma sombra com quatro patas...
Mas também  temos os ideias dos deuses e das deusas....do sublime ato de amar e abraçar quem nos completa e compartilhar a doce fragilidade e o prazer.


Hoje me despedi e continuo andarilha na busca dessa mulher nada simples, insatisfeita, insaciável  e que olha nos olhos, abraça com a alma e ama como se o mundo fosse acabar....
 


Ana Paula

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Escrever para não morrer...




Escrever para silenciar essa urgência.


Escrever pra não morrer...








Hoje acordei mais só do que eu merecia...


Apenas meu abraço me aquecia.


Hoje acordei e compreendi que a maior distância é essa quando pessoas pensam de formas tão diferentes.







E não há encontro melhor do que o encaixe das almas.


Que mesmo estranhas são íntimas.






Hoje precisei acordar esse oráculo.


Hoje precisei marcar o início de um novo ciclo.






Ciclo de auto amor.


Ciclo de auto cuidado.


Ciclo bem amado.


Ciclo adorado.


Ciclo de encontro entre iguais.






A vida corre e urge....


Todos os dias decidimos quem vai e quem fica.






Ficará apenas quem é amor, carinho , presença e encontro.












Sim! Acordei mais só do que merecia.


Mas ouvi essa música, esse chamado...








Parei a busca e me enlacei ...me encaixei.





Ana Paula