sábado, 23 de janeiro de 2010

Os mesmos erros



Descobri que algumas coisas simplesmente não mudam.
Elas se repetem como padrões...
Uma história que eu gostava muito quando pequena era a Bela e a Fera.
Hoje entendo porque durante muito tempo achei que as feras podiam ser transformadas.
Nem todas as feras deixam de ser feras mesmo quando amadas, tal como na história.

Os mesmos erros, as mesmas lágrimas, as mesmas dores.
Mas não mais a mesma pessoa.
O amor nos transforma.
A dor também.
Ás vezes a combinação dos dois , mas deixamos a velha pele para tras.

É preciso continuar.
E deixar para tras a fera.
E deixar os padrões longe de nós.
É preciso lavar a alma depois de perder a calma.

Tem dias que a tristeza não cabe na gente.
Tem dias que o melhor a fazer é o silêncio.
E pedir a Deus que a vida traga dias melhores e expulse de nós os velhos erros.

A confiança pode ser um erro.
A esperança ingênua também.
Existem coisas que simplesmente não mudam.







Ana Paula

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Amor dito




Estive pensando como o silêncio alimenta o controle e o poder nas relações.
Enquanto o silêncio permanece se instala um mistério.
É como se um estivesse no altar, inatingível.
E o outro ávido por palavras, por definições e declarações.

A palavra proferida amedronta porque revela as vulnerabilidades.
Escancara as fragilidades.
Por outro lado, ela liberta o ouvinte porque assim ele aniquila os fantasmas do descaso, do desamor e do abandono.


O não-dito é tão maldito porque acorda aqueles medos inconfessáveis de criança.
Nas relações silenciosas regredimos, relembramos daquela sensação fantástica dos pais heróis.
Mas, acontece ,que não somos mais crianças.
Não queremos mais um pai ou uma mãe, isso seria no mínimo incestuoso e tosco.
O poder não pode fazer morada dessa forma.

O silêncio alimenta o controle.
E reacende aquele desejo de ser amado, comprovadamente amado.
Se não existem palavras o amor torna-se tão concreto que parecemos famintos e desnutridos.

Acontece que quem permanece em silêncio está cheio de medos também.
E não vivemos a dois assim.
É uma vida vivida aos solavancos, subnutrida.

Com o silêncio e o monopólio do poder, nas relações, fica a dúvida se o desejo mora em quem foi eleito, se há amor ou apenas devaneios.

Por isso, quero sempre o amor dito, sentido, ouvido, cantado, murmurado, entre risos, lágrimas, gargalhadas e atitudes.

Assim, continuamos a saber ,que ninguém possui ninguém, mas nos deliciamos brincando que isso é possível.


Ana Paula

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Solidão


A pior solidão, a mais doída é aquela que não possui sequer um sentido.
É a solidão da casa fechada, das janelas trancadas, da alma defendida, do corpo armado...

Também não sei se é de fato, possível reconhecer um sentido na solidão quando passamos por ela.

Diariamente me torno ouvinte da solidão alheia.
Quantas vezes pensamos que só a gente tem isso de se sentir mais só do que é merecido ou permitido..

Mas isso não é verdade.
Todos temos a companhia da solidão.
O que varia é o seu modelo, a sua forma e a sua duração.


Ela é inimiga na adolescência mas ás vezes uma sábia quando amadurecemos.
Porque ela dá sentido a vida a dois.
Ela torna possível definir aquela linha tênue entre privacidade e defesa.

E assim compreendemos que sempre estamos de certa forma sós.
E assim, podemos degustar as melhores companhias quando elas chegam.
E ser também especial pra quem compartilha sua história conosco.
Porque no fundo, sabemos da ferida narcísica que não nos bastarmos.

Solidão nonsense.
Solidão amiga.
Solidão amarga.
Solidão triste.
Solidão boa.

Seja qual for que ela dure apenas o tempo certo.
Que permaneça sem que envelheça as esperanças e mate a inocência.

Seja como for, que ela não seja em vão.
Entenda porque ela chegou.
Assim, ela não  partirá tão tarde.


Ana Paula

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sim


Dizer sim a vida é dizer não ao impossível.
E dizer não ao que paraliza.
Dizer sim é vibrar e dançar no ritmo da homeostase.
Dizer sim a vida é ser capaz de assumir riscos.
É dizer não ao tanto faz.
Dizer sim a vida é ser criança sem ser infantil e ser maduro sem deixar-se velho em manias e posturas.


Sim a vida.
Sim ao amor.
Sim a paz.
Sim ao êxtase.
Sim a quem diz sim sem medo de ser mais.



Ana Paula

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O que é verdadeiro


O que vale é a verdade.
Se você acha que alguma coisa não é válida é porque ela não é verdadeira para você.
A verdade encaixa.
A verdade acalma a alma.
A verdade traduz o que é essencial.
A verdade é música porque harmoniza.


Tem épocas que a verdade faz morada e tem outras horas que ela escapa....e tudo fica tão confuso.



Ana Paula

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Biografias conciliadas


.
Nessa escolha em estar juntos é preciso reconhecer que é inevitável conciliar as biografias.
E continuar sendo individual ,ao mesmo tempo, que divide histórias, compartilha sonhos, confessa medos.
Que o prazer e a delícia em estar junto possa sempre ser maior que os auto-sacrifícios inevitáveis.

Que as pessoas especiais não se percam nessa louca dança da vida.

Porque não existe itinerário definido.
Existe a saída sem garantias da chegada....é preciso caminhar.

Biografias conciliadas e vidas entrelaçadas.

Na escolha diária de se vincular mesmo sendo esse mundo tão etéreo.
Onde pessoas vem e vão sem sentido numa busca caótica.
Que mesmo assim, biografias  se conciliem...


Ana Paula