
Um blog sobre comportamento! Textos, poemas, delírios, pensamentos. Psicologia, arte, literatura. Sim!! Atelier da alma fala dos símbolos do coração!!
quarta-feira, 27 de maio de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
A outra
Há uma outra que decide o que eu havia jurado que não queria mais.
Há uma outra que diz sim enquanto digo não.
Há uma outra que diz adeus enquanto desejo permanência.
Há essa que tem paciência quando tudo é urgência.
Há essa que é carente enquanto a outra mente que nada sente.
Essa menina camufla a mulher.
Essa mulher tenta calar a menina.
Uma pede silêncio mas a outra canta e nada silencia.
Uma pede carinho mas a outra se sente autosuficiente.
Hoje conversei com as duas.
Ficaram assim cara a cara.
Se olhando com medo, desprezo, raiva e curiosidade.
Cada uma sustentando sua verdade.
Cada uma argumentando seu valor.
Então ambas caíram em pranto sentindo a dor.
A dor da divisão.
A dor da ilusão.
A dor da solidão.
Se entreolharam.
Se estranharam.
Então um abraço as uniu.
Compreenderam que ambas queriam amor.
Ambas queriam alegria, paz e união.
Resolveram fazer as pazes.
Entenderam que a guerra fora longa demais.
Havia cansaço no olhar.
Havia couraça em várias partes do corpo.
Havia vergonha e esconderijo.
E inúmeros segredos de histórias malditas.
As palavras então surgiram.
Não sei qual das duas começou a falar.
Então os dois corações aquietaram aquele peito.
As inimigas renderam-se.
O itinerário foi traçado.
A viagem prosseguiu.
O sorriso inaugural e a paz triunfaram.
A outra e aquela.
A moça e a mulher.
A criança e a anciã.
Todas as manhãs, quando me olho no espelho, existem várias mulheres em mim.
Todas me olham, todas dialogam, todas conquistaram seus espaços.
Sou composta pelas que se foram, pelas que são e também pelas que nascerão.
Todas estão em uma grande roda.
Todas permanecem de mãos dadas.
Todas tem voz.
Todas com seus prós.
E um único caminho.
O caminho de ser alguém melhor!
Ana Paula de Rezende
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Escolhas

domingo, 10 de maio de 2009
Rubedo
"A alquimia representa a projeção de um drama ao mesmo tempo cósmico e espiritual em termos de laboratório. A opus magnum tinha duas finalidades: o resgate da alma humana e a salvação do cosmos... Esse é difícil e repleto de obstáculos; a opus alquímica é perigosa. Logo no começo, encontramos o "dragão", o espírito ctônico, o "diabo" ou, como os alquimistas o chamavam, o "negrume", a nigredo, e esse encontro produz sofrimento... Na linguagem dos alquimistas, a matéria sofre até a nigredo desaparecer, quando a aurora será anunciada pela cauda do pavão (cauda pavonis) e um novo dia nascerá, a leukosis ou albedo. Mas nesse estado de "brancura", não se vive, na verdadeira acepção da palavra; é uma espécie de estado ideal, abstrato. Para insuflar-lhe vida, deve ter "sangue", deve possuir aquilo que o alquimistas chamam de rubedo a "vermelhidão", da vida. Só a experiência total da vida pode transformar esse estado ideal de albedo num modo de existência plenamente humano. Só o sangue pode reanimar o glorioso estado de consciência em que o derradeiro vestígio de negrume é dissolvido, em que o diabo deixa de ter existência autônoma e se junta à profunda unidade da psique. Então, a opus magnum está concluída: a alma humana está completamente integrada. "
A rubedo é o estágio surgido da oposição entre espírito (albedo) e matéria (nigredo), ou seja, é um análogo da alma, que, como ela, liga os eventos de fora (fatos) com os de dentro (experiências).
O vermelho une, atrai e liga e, ao mesmo tempo, afasta, alerta e ameaça.
A diferença entre esses estágios da transformação da matéria e da psique é que na nigredo e na albedo os elementos encontram-se separados, pelo caos, em uma, e pelo esforço reflexivo, na outra. Existe movimento em ambos, mas é na rubedo que o movimento se torna ação no mundo, quando matéria, psique e cultura se fundem num relacionamento interdependente. A idéia de movimento está na origem da palavra pathos, ao mesmo tempo paixão e doença.
Minha alma está rubra .
Meu coração estará rubedo porque se desfaz do medo.
A Opus está presente.
Vibrante e quente.
Nessa alquimia bem sei que meus pés não trilharão os caminhos mais fáceis.
Mas o corpo volátil prepara e aquece essa alma que cresce e se expande.
Rosas vermelhas pelo caminho.
Pétalas no altar e mãos dadas para amar.
Ana Paula
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Heroína
É preciso aprender a arte de não se precipitar e nem perder a hora.
A dosagem entre deixar fluir e saber o valor de cada espera.
Que esse amor próprio seja a lança para vencer a batalha das buscas erradas.
Que eu aprenda como me amar e me abraçar.
Que definitivamente não me sinta atrelada aos desejos de ninguém.
Embora ainda nasça do coração essa lágrima insistente.
Que haja festa nessa alma que não mente.
Que eu encontre a palavra, a atitude e a presença!
E tenha paz, amor e uma história que valha a pena ser lida e escrita.
E contada na grande roda das histórias ,diante da fogueira mágica que aquece e purifica.
Que finalmente a dor se despeça do amor.
E que a grande cura reine.
E faça flor essa semente de vida nova.
Que não tenha essa pressa que me apavora.
Paciência para trilhar o caminho do herói.
Tirar cada espinho que ainda dói.
Que haja um parceiro nessa viagem.
Mas que eu saiba que a chegada não depende do outro.
Ela se torna colorida, florida, nada além disso.
São meus pés que me levarão, passo a passo, me conduzirão.
São meus olhos que me guiarão.
São minhas mãos que sinalizarão.
E será o meu coração e a minha alma que me libertarão.
Porque assim serei minha autora, sem plágios, sem rascunhos, sem rasuras.
Apenas trilho.
Repleto de brilho.
Que Deus nunca se cale dentro de mim.
Que Deus ouça essa prece e faça a luz dizer sim.
Seja minha lanterna na noite escura.
Seja meu sol na parada obscura.
Que eu possa ser do tamanho verdadeiro.
E seja primeiro minha melhor companhia, minha poesia.
Que essa força ainda latente se torne mais que potente.
Seja imã de amor, saúde, plenitude.
E quando finalmente eu escalar a altitude maior.
Possa abrir os braços e gritar que estou pronta para ser minha heroína.
Ana Paula