Nunca gostei das despedidas.
Sempre senti uma nostalgia nos aeroportos, nas rodoviárias, nos metrôs...
Muitas vezes ficava observando as despedidas alheias, os abraços apertados na emoção declarada ou na contida.
Depois ria de mim e me questionava porque o meu peito estava apertado se aquele adeus não me pertencia...
Adeus.
deus.
eus.
Assim, o nós, é rompido.
O eu e você é dilacerado.
O sonhar juntos é negado.
O êxtase da entrega é contido.
O gozo é interrompido.
Adeus.
Os elos se rompem.
Adeus.
Hoje o adeus me pertenceu.
Hoje o adeus não foi no aeoporto, nem no metrô.
Hoje o adeus não aconteceu em um filme, nem na novela enfadonha.
Hoje as lágrimas escorreram na fronha...
Choro calado, choro danado, choro malvado...
E na dor da solidão rasguei, engasguei e matei...você em mim, você no corpo, você na alma, você no pensamento, você na palavra...
O nosso amor nunca foi feito pra durar.
Porque você nunca o tratou como rei...ele sempre foi um súdito...clandestino....bandido...
Nunca gostei das despedidas.
Sempre sofri na hora do adeus.
Hoje enxerguei que apenas eu disse adeus porque pra você sempre foi partida.
Você sempre foi o errante, o viajante....
Eu sempre fui quem esteve a espera desejante, desejável, bela e você a fera.
Quis tê-lo ao lado.
Quis tê-lo dentro e mim.
Quis abraçá-lo e amá-lo.
Mas o nosso amor se cansou das longas esperas.
Das mentiras, dos disfarces, das ausências.
Mas esse amor aprendeu, ensinou, viajou, delirou, gargalhou e foi intenso.
Foi também imenso.
Prefiro então ir em silêncio.
Sem proferir o adeus que tanto faz ferir....nesse ir sem o "nós".
Estou por aí....
Ana Paula de Rezende

